Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007
Ajudem o Planeta a Respirar

 
Tenho andado muito adoentada e só hoje me levantei um bocadinho, porque já não aguentava as dores nas costas já para não falar das saudades que eu tenho de todos.

 

Isto do tempo estar todo trocado, troca-me as voltas cá de uma maneira que vossemecês nem calculam.

 

Quando devia chover, faz sol, e é um calor que ninguém aguenta e à conta disso apanhei uma virose ou lá como é que isto se chama, mas foi assim que o Sr. Dr. Médico lhe chamou e eu acredito porque ele é pessoa de muita sabedoria.

 

Depois, de repente, acorda-se com um dilúvio, que mais parece aquele do tempo do Noé, só que aqui ninguém teve tempo de construir arca nenhuma para se abrigar e a água entrou a jorros pela casa das pessoas.

 

Já para não falar dos incêndios que este ano também vieram fora do tempo, e até me deu vontade de rir, porque os senhores daquele desgoverno que nos governam, deitaram os foguetes antes do tempo, quando todos contentinhos, vieram dizer que neste Verão, tinha sido um regalo de se ver, porque finalmente a floresta ardida era quase zero.

 
 

- Zero, são eles, onde é que já se viu, com um Verão daqueles cheio de chuva, queriam que houvesse fogos onde?

 

Ora eu, apesar de ser mulher da aldeia, gosto de andar bem informada com as coisas do mundo, e o meu Zé compra sempre o jornal porque eu lhe mando, e enquanto estou a passar   a ferro, ele  vai-me dando conta das noticias.

 

Por isso meus anjinhos, não se esqueçam que amanhã é o dia da floresta e bem que estamos precisando de muitas árvores para ajudar o planeta a respirar melhor.

 

A vossa Beata, apesar de ainda estar às voltas com esta tal de virose, amanhã vai ajudar a plantar árvores aqui.  Pode ser que encontre algum de vós, e não se esqueçam de me falar se me virem está bem?

 

Agora tenho que ir, porque já me está a chegar de novo a maldita da febre.

 

Até qualquer dia e ajudem a cuidar do planeta.

 

Beijinhos repenicados

 

Da vossa Beata da Aldeia

 

  


Como vai a minha vidinha:

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 22:03
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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007
O Novo Aeroporto

A propósito do novo aeroporto que ainda ninguém sabe onde vai ficar, andámos todos conversando aqui na aldeia, que era bem pensado dar uma ajudinha ao menino Sócrates, para ele sair dessa aflição de uma vez por todas e deixar de estar tão nervoso, porque isto das depressões nesta altura do ano apanham toda a gente.

Esta vossa Beata que pensou sempre muito à frente, teve uma ideia que todos aplaudiram:

- Então, disse eu, os campos estão todos por cultivar que até mete dó, porque já ninguém tem força para cavar a terra e a juventude abalou toda, pois não quer saber de sementeiras nem vindimas.

- Hum, ia dizendo o meu Zé

-  Se eles, lá no desgoverno, estão assim tão precisados, o povo podia fazer uma daquelas vendas fantásticas, como aqui é uso dizer-se, sem impostos bem entendido que a gente não quer prejudicar ninguém, e estas eiras todas juntas bem arranjadinhas até davam um bom aeroporto e nem era preciso cortar as árvores nem  espantar os pássaros, porque isto aqui já é quase um deserto.

Escusado será contar, que começou toda a gente a pensar na diversão que iria ser, todos a verem os aviões a subir e a descer, já para não falar na grande evolução aqui p'ra aldeia, com cafés e restaurantes a abrir por todo o lado, hotéis para acomodar os coitados dos passageiros quando se dessem aqueles atrasos que se vêem na televisão e ainda as estradas que seriam construídas para ser mais rápido cá chegar.

Ficou tudo tão entusiasmado que decidimos por bem fazer uma votação nuns papelinhos que o meu Zé aprontou logo, porque isto é uma democracia, não sei se estão lembrados, e decidiu-se por escrever uma carta ao Sr. Lino, a oferecer os nossos préstimos.

Espero bem que ele "dê uma vista de olhos" quando tiver um "bocadinho de tempo", porque está tudo ansioso por ver aqui o aeroporto.

 
Até ando a rezar para que Nosso Senhor me dê mais uns aninhos de vida, porque pelo andar da carroça, quando o aeroporto estiver pronto, eu já não estarei cá para me gozar dele.

 

Até qualquer dia meus santinhos e o beijo repenicado do costume.

 

A vossa Beata da Aldeia

 

 


Como vai a minha vidinha:

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 20:46
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Sábado, 10 de Novembro de 2007
Pelo S. Martinho, prova o teu vinho, ao cabo de um ano já não te faz dano.
 

Aproveitem o S. Martinho meus santinhos, mas não abusem, que aqui a vossa Beata mais o seu Zé, já está a preparar as castanhitas e a água pé, para vos receber a todos aqui na aldeia.


 "Tenho camisa e casaco
Sem remendo nem buraco
Estoiro como um foguete
Se alguém no lume me mete"

 

 

 
Até a minha porca Miquelina, que sabe muito bem que não é desta que vai para o fumeiro, vai tomar um banho, para se sentar ao lume com a gente, oram vejam ela aqui tão contentinha

 

Cuidado com as ressacas e cá vos espero se o S. Martinho deixar.

 

   Beijinhos repenicados

 
 
Da vossa Beata da Aldeia

 
 

 

 



Carta escrita pela Beata da Aldeia às 10:47
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Terça-feira, 6 de Novembro de 2007
A boa caridade começa em casa

 
 
Uma Santa tarde a todos os meus meninos e meninas

 
Aqui estou de novo, a muito custo, verdade seja dita, porque já não tenho idade nem saúde para  noitadas como a que fiz no sábado passado.

 
Fiquei toda derreada das minhas costelas porque o vestido estava muito apertado, e então dos pés nem vos conto que ainda hoje tenho cada bolha que só vendo é que se acredita, como diz o nosso Santinho S. Tomé.

 
O meu Zé então, ainda está de cama com uma dor que se lhe aprontou nas cruzes, que até parte o coração só de olhar p'ra ele, coitadinho.

 

Mas meus santinhos assim que vi as notícias daquele Sr. Padre da aldeia dos galegos que casou por caridade com a governanta dos Brasis, disse p'ra mim mesma que tinha que lhe vir dar o meu apoio, porque lá diz o ditado  que  "a  boa caridade começa em casa"  e ele levou-o à letra, pois então.

 

Então vejam, uma pessoa afeiçoa-se a quem vive debaixo do mesmo tecto, a quem nos trata bem, nos lava a roupinha e prepara a comidinha a horas, o resto não sei nem quero saber porque dentro de portas ninguém vê e já assim era desde que me conheço e falatórios e má lingua sempre existiram, e de repente querem mandar a moçoila p'ra terra dela?

 
Isso não se faz e ainda p'ra mais com a idade dele que agora coitadinho ainda precisa de cuidados a dobrar. 

 

Ora fez muito bem aquele Sr. Padre que até parece ser boa pessoa  e muito bem disposta, se prestarmos atenção à sua cara no filme que passaram dele.

 

Pelo menos não fez como muitos que há para aí, que até filhos se lhe conhecem, como aquele Padre Amaro que até teve direito a livro e tudo, mas fico-me por aqui porque sou Beata mas tenho cá as minhas ideias e fico muito revoltada quando penso nos pobres dos Senhores Padres, por aí sem poderem casar, como muitos gostariam.

 

O Senhor Cura cá da minha aldeia, não sei não, mas que há falatórios da criada dele, a Sra. da Purificação, lá isso há, mas as pessoas fecham os olhos, pelo bem que ele pratica e quem não pecar que atire a primeira pedra como disse Nosso Senhor.

 

 

E agora meus riquinhos tenho que ir, que o meu homem já me está a chamar para lhe levar a janta.

 

Até qualquer dia se Deus quiser.

 

Beijinhos repenicados

 

Desta que se assina Beata da Aldeia

 

  

 


Como vai a minha vidinha:

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 17:38
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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007
Sábado dançante na aldeia

Boa noite meus lindinhos

 

Estou a rebentar de tanta satisfação que nem sei por onde começar. O melhor é mesmo começar do principio, que foi como aprendi na escola primária, se a memória não me falha.

 

Já estou de bem com o meu Zé e para lhe fazer um agrado, até voltei a ser como era, que como vossemecês se hão-de lembrar, a vossa beata era morena, já com brancos no cabelo, porque a idade não perdoa. P'ra vos dizer a verdade, eu própria, já não podia olhar para mim, com aquele cabelo amarelo, pois que cada um é para o que nasce, e eu nasci para ser bem portuguesa, só não tenho bigode, porque a menina do salão, deu-me uma coisa para o tirar, que por acaso até dói que se farta.

 

- Ninguém me tira cá da ideia, que aqueles pesadelos todos que me assaltaram, foi um aviso de Nosso Senhor, para eu me deixar de modernices.

 

Mas adiantando-me, vos digo já que amanhã vai haver uma noite dançante na Casa do Povo, que por acaso até tem ajudado muito a gente da aldeia a divertir-se e a cultivar-se, que é como quem diz - não fora o caso e morria-se aqui de pasmo, porque o que há para ver já se viu há muito tempo.

 

Vem cá um cantor de fora, daqueles que vende muitos discos e anda muito pelos estrangeiros

e nem imaginam o alarido e correrias             

em que eu andei a mais as minhas vizinhas,

que  não há mãos a medir para arranjar tantas cabeças e fazer tantos vestidos.

 
 

Arregalem os olhos meus santinhos que vos mostro já como a vossa beata se vai apresentar, porque não quero fazer más figuras.

Ora digam de vossa justiça, se não vou linda?

 
 

Beijinhos repenicados e até qualquer dia se Deus quiser

 

Da vossa Beata da aldeia

 

( esqueci-me de vos dizer que o Sr. Padre Cura já deu a sua bênção e vai-nos agraciar com a sua presença por uma questão de respeito)

 


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Carta escrita pela Beata da Aldeia às 21:44
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