Sexta-feira, 9 de Maio de 2008
A Beata vai voltar!!!

Ai ricos filhos que saudadinhas que eu tenho de vossemecês mas desde a passagem do ano que o meu Zé me obrigou a prometer de joelhos e de mãos postas que nunca mais viria à Internete e como bem deveis saber eu cá não sou mulher de faltar ao prometido e assim fiz  mas de coração partido porque as vossas cartas e o vosso convívio é como o pão para a boca.

 

Sabem o que ele me aprontou para eu me distrair? A Mariazinha, neta da minha comadre que está nas Franças, para eu tomar conta enquanto a mãe vai à labuta numa Fábrica de Confecções que está quase a fechar as portas mas que por enquanto lá se vai aguentando para pagar os ordenados.

 

Claro que eu gosto da catraia, apesar de ela não me largar, nem quando faço a janta para o meu Zé, mas verdade seja dita eu já não tenho estrutura nem idade para servir de ama-seca e por isso ando aflita dos meus ossos e há dias que nem sei onde ponho os pés com tanta dor a apoquentar-me.

 

Mas, perguntarão vossemecês, porque veio a Beata hoje dar sinal de vida?

 

- A razão é simples: O meu Zé libertou-me da promessa porque me viu a definhar de dia para dia com tanta tristeza no coração e apesar das implicações que ele tem comigo, eu não duvido que ele me tem muita estima.

 

Por isso meus riquinhos, a vossa Beata vai voltar sempre que o raio da gaiata me der tréguas e descanso e entre o lavar da roupa e o fazer da comida e as minhas obrigações na Igreja hei-de arranjar tempo para vos escrever a todos, que as saudades são muitas.

 

Agradeço do fundo do meu coração, que é grande, todas as cartas que só agora me chegaram às mãos, porque até isso o danado do meu Zé arranjou forma de as esconder.

 

Se eu fosse rapariga ainda casadoira e independente, podem crer que me divorciava dele e depois é que as costas folgavam.

 

Beijinhos repenicados para todos ( ai que saudades que eu tinha de escrever isto) e até qualquer dia se Deus quiser.

 

 

 

Desta que se assina Beata da Aldeia

 
 
PS - Rezei sempre por vossemecês e estimo muito que tenham sido felizes na minha ausência que bem mereceis.

 
 

 

 
 


Como vai a minha vidinha: Radiante

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 20:33
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Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007
Até p'ro Ano

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Ricos filhos

Hoje acordei num grande alvoroço porque vai haver festa na aldeia com fogo de artifício e tudo  a expensas do nosso Presidente da Câmara que nestas alturas a gente quer é diversão que o resto logo se vê quando entrar o ano novo  porque o povo precisa de esquecer as agruras desta vida nem que seja uma vez por ano.

 

Estou mesmo endiabrada e comecei a treinar logo pela fresquinha e a piscar o olho p'ro meu Zé  que acordou sobressaltado com a música em altos berros porque depois do fogo segue-se o bailarico e eu sou danada para dar um pezinho de dança mas desta vez não quero cá encostos por causa das pisadelas que ele me dá.

 
 

Adivinhem meus santinhos quem vem alegrar a festa?

 

- O meu querido Cara Laróca que vem tocar e cantar p'ra gentes da minha aldeia.

 

Como deveis calcular estou que nem me aguento de tanta satisfação que o meu coração quase me salta da boca para fora e caso queiram vir não se façam rogad0s que a entrada é de graça.

 

Quero que saibam da minha estima por todos e da alegria que me dão por continuarem a ser meus amigos e vou pedir aos Santinhos que o Novo Ano vos traga tudo o que há de bom.

 

Muitos beijinhos repenicados

 

Desta vossa Beata da Aldeia que vos adora

 

Até p'ro Anoooooooooooooooooooo

 

 

 

 

 

 

 


Como vai a minha vidinha: endiabrada

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 10:09
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Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007
O Natal não tarda aí

Meus santinhos

 

Ainda me encontro muito afanada mas graças a Deus hoje senti que as forças já me estavam a querer voltar que também não era sem tempo porque faço cá muita falta para alegrar as gentes já p'ra não falar do meu Zé, coitadinho que não sabe já o que fazer comigo.

 

O Sr. Dr. Médico proibiu-me de vir escrever aqui na internet porque andam desconfiados que eu apanhei uma pontada de ar nas costas naquela noite em que estive aqui a escrever-vos com a janela aberta e esta aragem da noite é muito traiçoeira como sabem e o resultado está bem de se ver, mas eu tenho na ideia escapar-me de vez quando porque tenho muitas saudades vossa e cá para mim aquilo foi invenção do meu homem que como sabeis não se conforma com estas modernices.

 

Mas deixemo-nos de choradeiras que para isso basta a vida que cada vez está mais ruim de se viver e ainda por cima nesta altura do Natal em que sempre se compra qualquer coisinha a mais do que é costume comprar-se e as reformas são uma miséria como sabeis.

 

Meus queridos filhos a vossa Beata está a preparar-se para o Natal e o trabalho na paróquia que está aí para vir, nem vos conto mas eu cá gosto muito de enfeitar as casas e a Igreja e fazer a àrvore de Natal com aquelas bolas todas às cores e as luzes a acender e a apagar que é um regalo de se ver.

 

Gostava muito de receber as vossas cartas para o Pai Natal, por isso se confiarem nesta simples Beata da Aldeia, podeis escrever o que mais queriam de presente que eu agarro nelas todas e podem ter a certeza que as vou entregar em mão que já fiz um acordo com o carteiro dele.

 

Fico à espera, está bem?

 

 

Beijnhos repenicados                                

 

Desta que se assina

Beata da aldeia 

 


Como vai a minha vidinha: melhorzinha

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 20:51
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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007
Sábado dançante na aldeia

Boa noite meus lindinhos

 

Estou a rebentar de tanta satisfação que nem sei por onde começar. O melhor é mesmo começar do principio, que foi como aprendi na escola primária, se a memória não me falha.

 

Já estou de bem com o meu Zé e para lhe fazer um agrado, até voltei a ser como era, que como vossemecês se hão-de lembrar, a vossa beata era morena, já com brancos no cabelo, porque a idade não perdoa. P'ra vos dizer a verdade, eu própria, já não podia olhar para mim, com aquele cabelo amarelo, pois que cada um é para o que nasce, e eu nasci para ser bem portuguesa, só não tenho bigode, porque a menina do salão, deu-me uma coisa para o tirar, que por acaso até dói que se farta.

 

- Ninguém me tira cá da ideia, que aqueles pesadelos todos que me assaltaram, foi um aviso de Nosso Senhor, para eu me deixar de modernices.

 

Mas adiantando-me, vos digo já que amanhã vai haver uma noite dançante na Casa do Povo, que por acaso até tem ajudado muito a gente da aldeia a divertir-se e a cultivar-se, que é como quem diz - não fora o caso e morria-se aqui de pasmo, porque o que há para ver já se viu há muito tempo.

 

Vem cá um cantor de fora, daqueles que vende muitos discos e anda muito pelos estrangeiros

e nem imaginam o alarido e correrias             

em que eu andei a mais as minhas vizinhas,

que  não há mãos a medir para arranjar tantas cabeças e fazer tantos vestidos.

 
 

Arregalem os olhos meus santinhos que vos mostro já como a vossa beata se vai apresentar, porque não quero fazer más figuras.

Ora digam de vossa justiça, se não vou linda?

 
 

Beijinhos repenicados e até qualquer dia se Deus quiser

 

Da vossa Beata da aldeia

 

( esqueci-me de vos dizer que o Sr. Padre Cura já deu a sua bênção e vai-nos agraciar com a sua presença por uma questão de respeito)

 


Como vai a minha vidinha:

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 21:44
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Terça-feira, 23 de Outubro de 2007
Os pedidos do Sr. Padre Cura

Estimados filhos

Como deveis imaginar toda a gente cá na aldeia está ao corrente da zanga com o meu Zé pois foi p´ra aqui o fim do mundo, só faltou chamar a guarda, o que nos valeu foi o santinho do sacristão que também não faz mais do que a sua obrigação que é ajudar o Sr. Cura a velar pelas almas, mas isso já eu vos contei da última vez que vos dei conta da minha vidinha e p'ra não me desviar da minha ideia, adiante que se faz tarde.

Ora, todos se acercam de mim, a consolar-me pelo sucedido e com palmadinhas nas costas lá me vão dizendo que aquilo foi o demónio que passou pelos olhos do meu homem ou até há quem tenha cismado que foi o vinho a falar em vez dele, mas eu ainda estou muito ofendida e enquanto me lembrar não lhe olho p'ra cara nem lhe dirijo a palavra, porque quem não se sente não é filho de boa gente e cá os meus paizinhos eram de grande respeito e tidos em muito boa conta.

Isto tudo para vos dizer, que o que me tem valido são os vossos cuidados comigo de tal forma que até mostrei ao Sr. Cura algumas das coisas que me têm escrito p´ra ele ficar a saber que comungar da vossa alegria tem sido uma bênção para mim.

Ai, meninos e não é que ele gostou tanto que até me incumbiu de vos  fazer uns pedidos?

Então aqui vai:

Ao menino Abreu (que não tem aldeia)  pede que, no intervalo dos processos do tribunal e já se viu que é oficial de justiça, o ajude a escrever uns sermões, porque jeito não lhe falta apesar de se ter desviado do caminho do Senhor à conta da tal ajudante de cozinheira era ele ainda moço.

À menina de Azul que agora também tem uma metade verde, manda dizer que gostava muito que ela escrevesse sobre a história da paróquia e que tem uma casa às ordens se ela não tiver onde ficar e que não se esqueça de trazer as suas bolachinhas caseiras.

À menina das Margaridas, pede muito que ajude a beata no arranjo das flores mas recomenda que ela venha com um vestido decente, não vá o diabo tecê-las e que não traga os tais comprimidos não vá dar cabo da vida descansadinha da aldeia.

Ao menino da Cara Laroca, que anda sempre numa correria de aldeia em aldeia, pede que traga a máquina das fotografias e que venha cá ensinar o Manel da Gaita a tocar concertina, p'ra ver se ele aprende de vez as notas sem desafinar.

Ao menino Lince, pede que vista a pele de cordeiro e que recolha as garras e traga uma garrafa de vinho p'ras tertúlias ou lá como ele lhes chama.

Ao menino Mariola de Vasconcelos caso ele disponha de tempo, pede que venha cá ensinar ao povo as suas artes e que traga o livro da tal senhora Florbela, que o mestre-escola coitadinho já lhe perdeu o jeito.

À menina Cristalina, manda dizer que gostava muito de a conhecer e que traga o livro dos milagres, aquele de capa azul e branca, para que se registe um dos últimos milagres de Fátima.

Ainda há mais pedidos do Sr. Padre Cura, mas fica para uma próxima que agora não disponho de mais tempo pois tenho que ir à vida e estou aqui ainda por caridade da minha vizinha, em casa alheia, que é como quem diz, em casa dela.

 

Até outro dia se Deus quiser.

 

Beijinhos repenicados

 

Desta que se assina

Beata da Aldeia


Como vai a minha vidinha:

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 11:05
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Domingo, 14 de Outubro de 2007
O rir e o folgar não é pecado
Olhem aqui a vossa beata no bailarico com o seu Zé e  digam lá se não fazemos um par jeitoso?
 
Eu conto tudo, é que depois da missa cismei que havia de ir ao bailarico que aqui fazem todos os domingos para alegrar a gente da aldeia  que bem precisa de esquecer a vida que cada vez está mais difícil  apesar do que se ouve dizer nas noticias que é p'ra gente ter esperança que isto vai melhorar.
 
Como eu vejo que isto não apresente melhoras seja de que feitio for, tirando umas coisitas aqui e ali  e pelo contrário até parece que estamos caminhando de cavalo para burro, se bem que o meu Jeremias que também é burro, não tenha nada a haver com esta história, pensei cá para mim que temos de aproveitar bem o que temos que já é tão pouco, e irmos folgando as costas, salvo seja, até porque não é pecado como diz o ditado e se querem um conselho deviam fazer o mesmo enquanto vos deixam que eu por hoje já não posso mais dos meu ricos pés de tantos pisões que o meu homem me aprontou, mas a verdade é para se dizer e eu tenho que dizer que estou derreada mas satisfeita.
 
Boa semana meus anjinhos e não se preocupem muito que tudo tem solução menos a morte.
 
Beijinhos repenicados
Desta vossa Beata da Aldeia
 

Como vai a minha vidinha:

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 18:38
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Escrevam à Beata ricos filhos
Vem cá ver a Beata da Aldeia
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