Quarta-feira, 21 de Maio de 2008
O Tempo Tanto Anda Como Desanda

 

 

Ai meu rico santinho tanto que eu te rezo e tu não atendes aos pedidos desta Beata que anda toda baralhada com o tempo que se faz sentir cá por baixo.

Que ricos dias de Maio que eu passava no campo em piqueniques e passeios, de mangas arregaçadas e saias alevantadas que não se aguentava o calor que fazia naqueles tempos.

Não sei que raio se está a passar contigo aí em cima e bem suspeito que andes muito zangado com o povo porque só nos mandas chuvas e terramotos, furacões e ciclones como nunca se viu em tempo algum que até parece que andas a avisar que um dia deste mandas outro dilúvio, como o da Arca do Noé e depois é que se vai ver toda a gente a correr para apanhar a madeira, tal e qual como agora fazem para apanhar a gasolina mais barata, mal comparado claro está.

E por falar em gasolina ainda bem que o meu Zé nunca aderiu a essas modernices e ficou-se sempre pela carroça que o meu burro Jeremias, coitadito, ainda vai tendo forças para puxar, porque pelo menos a palha não aumenta 2 e 3 vezes por semana, como esta vergonha que eu vejo nas notícias que até há gente que vai a Espanha comprá-la mais barata e fazem eles muito bem que aproveitam e alargam as vistas pelo estrangeiro.

Já não sei que orações nos vão valer mas a vossa Beata tem muita fé e podem crer meus santinhos que eu acredito que isto ainda vai melhorar e que nosso Senhor nos vai poupar.

Bem, por hoje é tudo que tenho que ir à minha vida.

Beijinhos * a todos e obrigada pelas vossas cartinhas. 



* repenicados

 


Como vai a minha vidinha: baralhada com estas modernices

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 17:29
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Sexta-feira, 9 de Maio de 2008
A Beata vai voltar!!!

Ai ricos filhos que saudadinhas que eu tenho de vossemecês mas desde a passagem do ano que o meu Zé me obrigou a prometer de joelhos e de mãos postas que nunca mais viria à Internete e como bem deveis saber eu cá não sou mulher de faltar ao prometido e assim fiz  mas de coração partido porque as vossas cartas e o vosso convívio é como o pão para a boca.

 

Sabem o que ele me aprontou para eu me distrair? A Mariazinha, neta da minha comadre que está nas Franças, para eu tomar conta enquanto a mãe vai à labuta numa Fábrica de Confecções que está quase a fechar as portas mas que por enquanto lá se vai aguentando para pagar os ordenados.

 

Claro que eu gosto da catraia, apesar de ela não me largar, nem quando faço a janta para o meu Zé, mas verdade seja dita eu já não tenho estrutura nem idade para servir de ama-seca e por isso ando aflita dos meus ossos e há dias que nem sei onde ponho os pés com tanta dor a apoquentar-me.

 

Mas, perguntarão vossemecês, porque veio a Beata hoje dar sinal de vida?

 

- A razão é simples: O meu Zé libertou-me da promessa porque me viu a definhar de dia para dia com tanta tristeza no coração e apesar das implicações que ele tem comigo, eu não duvido que ele me tem muita estima.

 

Por isso meus riquinhos, a vossa Beata vai voltar sempre que o raio da gaiata me der tréguas e descanso e entre o lavar da roupa e o fazer da comida e as minhas obrigações na Igreja hei-de arranjar tempo para vos escrever a todos, que as saudades são muitas.

 

Agradeço do fundo do meu coração, que é grande, todas as cartas que só agora me chegaram às mãos, porque até isso o danado do meu Zé arranjou forma de as esconder.

 

Se eu fosse rapariga ainda casadoira e independente, podem crer que me divorciava dele e depois é que as costas folgavam.

 

Beijinhos repenicados para todos ( ai que saudades que eu tinha de escrever isto) e até qualquer dia se Deus quiser.

 

 

 

Desta que se assina Beata da Aldeia

 
 
PS - Rezei sempre por vossemecês e estimo muito que tenham sido felizes na minha ausência que bem mereceis.

 
 

 

 
 


Como vai a minha vidinha: Radiante

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 20:33
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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007
O Novo Aeroporto

A propósito do novo aeroporto que ainda ninguém sabe onde vai ficar, andámos todos conversando aqui na aldeia, que era bem pensado dar uma ajudinha ao menino Sócrates, para ele sair dessa aflição de uma vez por todas e deixar de estar tão nervoso, porque isto das depressões nesta altura do ano apanham toda a gente.

Esta vossa Beata que pensou sempre muito à frente, teve uma ideia que todos aplaudiram:

- Então, disse eu, os campos estão todos por cultivar que até mete dó, porque já ninguém tem força para cavar a terra e a juventude abalou toda, pois não quer saber de sementeiras nem vindimas.

- Hum, ia dizendo o meu Zé

-  Se eles, lá no desgoverno, estão assim tão precisados, o povo podia fazer uma daquelas vendas fantásticas, como aqui é uso dizer-se, sem impostos bem entendido que a gente não quer prejudicar ninguém, e estas eiras todas juntas bem arranjadinhas até davam um bom aeroporto e nem era preciso cortar as árvores nem  espantar os pássaros, porque isto aqui já é quase um deserto.

Escusado será contar, que começou toda a gente a pensar na diversão que iria ser, todos a verem os aviões a subir e a descer, já para não falar na grande evolução aqui p'ra aldeia, com cafés e restaurantes a abrir por todo o lado, hotéis para acomodar os coitados dos passageiros quando se dessem aqueles atrasos que se vêem na televisão e ainda as estradas que seriam construídas para ser mais rápido cá chegar.

Ficou tudo tão entusiasmado que decidimos por bem fazer uma votação nuns papelinhos que o meu Zé aprontou logo, porque isto é uma democracia, não sei se estão lembrados, e decidiu-se por escrever uma carta ao Sr. Lino, a oferecer os nossos préstimos.

Espero bem que ele "dê uma vista de olhos" quando tiver um "bocadinho de tempo", porque está tudo ansioso por ver aqui o aeroporto.

 
Até ando a rezar para que Nosso Senhor me dê mais uns aninhos de vida, porque pelo andar da carroça, quando o aeroporto estiver pronto, eu já não estarei cá para me gozar dele.

 

Até qualquer dia meus santinhos e o beijo repenicado do costume.

 

A vossa Beata da Aldeia

 

 


Como vai a minha vidinha:

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 20:46
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Sábado, 10 de Novembro de 2007
Pelo S. Martinho, prova o teu vinho, ao cabo de um ano já não te faz dano.
 

Aproveitem o S. Martinho meus santinhos, mas não abusem, que aqui a vossa Beata mais o seu Zé, já está a preparar as castanhitas e a água pé, para vos receber a todos aqui na aldeia.


 "Tenho camisa e casaco
Sem remendo nem buraco
Estoiro como um foguete
Se alguém no lume me mete"

 

 

 
Até a minha porca Miquelina, que sabe muito bem que não é desta que vai para o fumeiro, vai tomar um banho, para se sentar ao lume com a gente, oram vejam ela aqui tão contentinha

 

Cuidado com as ressacas e cá vos espero se o S. Martinho deixar.

 

   Beijinhos repenicados

 
 
Da vossa Beata da Aldeia

 
 

 

 



Carta escrita pela Beata da Aldeia às 10:47
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Terça-feira, 6 de Novembro de 2007
A boa caridade começa em casa

 
 
Uma Santa tarde a todos os meus meninos e meninas

 
Aqui estou de novo, a muito custo, verdade seja dita, porque já não tenho idade nem saúde para  noitadas como a que fiz no sábado passado.

 
Fiquei toda derreada das minhas costelas porque o vestido estava muito apertado, e então dos pés nem vos conto que ainda hoje tenho cada bolha que só vendo é que se acredita, como diz o nosso Santinho S. Tomé.

 
O meu Zé então, ainda está de cama com uma dor que se lhe aprontou nas cruzes, que até parte o coração só de olhar p'ra ele, coitadinho.

 

Mas meus santinhos assim que vi as notícias daquele Sr. Padre da aldeia dos galegos que casou por caridade com a governanta dos Brasis, disse p'ra mim mesma que tinha que lhe vir dar o meu apoio, porque lá diz o ditado  que  "a  boa caridade começa em casa"  e ele levou-o à letra, pois então.

 

Então vejam, uma pessoa afeiçoa-se a quem vive debaixo do mesmo tecto, a quem nos trata bem, nos lava a roupinha e prepara a comidinha a horas, o resto não sei nem quero saber porque dentro de portas ninguém vê e já assim era desde que me conheço e falatórios e má lingua sempre existiram, e de repente querem mandar a moçoila p'ra terra dela?

 
Isso não se faz e ainda p'ra mais com a idade dele que agora coitadinho ainda precisa de cuidados a dobrar. 

 

Ora fez muito bem aquele Sr. Padre que até parece ser boa pessoa  e muito bem disposta, se prestarmos atenção à sua cara no filme que passaram dele.

 

Pelo menos não fez como muitos que há para aí, que até filhos se lhe conhecem, como aquele Padre Amaro que até teve direito a livro e tudo, mas fico-me por aqui porque sou Beata mas tenho cá as minhas ideias e fico muito revoltada quando penso nos pobres dos Senhores Padres, por aí sem poderem casar, como muitos gostariam.

 

O Senhor Cura cá da minha aldeia, não sei não, mas que há falatórios da criada dele, a Sra. da Purificação, lá isso há, mas as pessoas fecham os olhos, pelo bem que ele pratica e quem não pecar que atire a primeira pedra como disse Nosso Senhor.

 

 

E agora meus riquinhos tenho que ir, que o meu homem já me está a chamar para lhe levar a janta.

 

Até qualquer dia se Deus quiser.

 

Beijinhos repenicados

 

Desta que se assina Beata da Aldeia

 

  

 


Como vai a minha vidinha:

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 17:38
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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007
Sábado dançante na aldeia

Boa noite meus lindinhos

 

Estou a rebentar de tanta satisfação que nem sei por onde começar. O melhor é mesmo começar do principio, que foi como aprendi na escola primária, se a memória não me falha.

 

Já estou de bem com o meu Zé e para lhe fazer um agrado, até voltei a ser como era, que como vossemecês se hão-de lembrar, a vossa beata era morena, já com brancos no cabelo, porque a idade não perdoa. P'ra vos dizer a verdade, eu própria, já não podia olhar para mim, com aquele cabelo amarelo, pois que cada um é para o que nasce, e eu nasci para ser bem portuguesa, só não tenho bigode, porque a menina do salão, deu-me uma coisa para o tirar, que por acaso até dói que se farta.

 

- Ninguém me tira cá da ideia, que aqueles pesadelos todos que me assaltaram, foi um aviso de Nosso Senhor, para eu me deixar de modernices.

 

Mas adiantando-me, vos digo já que amanhã vai haver uma noite dançante na Casa do Povo, que por acaso até tem ajudado muito a gente da aldeia a divertir-se e a cultivar-se, que é como quem diz - não fora o caso e morria-se aqui de pasmo, porque o que há para ver já se viu há muito tempo.

 

Vem cá um cantor de fora, daqueles que vende muitos discos e anda muito pelos estrangeiros

e nem imaginam o alarido e correrias             

em que eu andei a mais as minhas vizinhas,

que  não há mãos a medir para arranjar tantas cabeças e fazer tantos vestidos.

 
 

Arregalem os olhos meus santinhos que vos mostro já como a vossa beata se vai apresentar, porque não quero fazer más figuras.

Ora digam de vossa justiça, se não vou linda?

 
 

Beijinhos repenicados e até qualquer dia se Deus quiser

 

Da vossa Beata da aldeia

 

( esqueci-me de vos dizer que o Sr. Padre Cura já deu a sua bênção e vai-nos agraciar com a sua presença por uma questão de respeito)

 


Como vai a minha vidinha:

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 21:44
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Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007
Que grande pesadelo
Tinha que vos vir contar os pesadelos que me apoquentaram esta noite.
 
Não sei se foi do raio das bruxas que não me largam o pensamento, ou se foi  das migas com frituras de carne de porco que me deu p'ra comer ontem à noite, porque meus filhos, não sei se já vos tinha dito, mas aqui a vossa Beata, é mulher de muito alimento, não fora o caso nem eu tinha aguentado as cargas de trabalho que me couberam em sorte, quando vim a este mundo, que dizem que o destino está traçado desde que se nasce.
 
Então não é que me apareceram as bruxas todas a cantar e a dançar à minha roda e deram-me a beber de um caldeirão, um liquido azul que eu nunca tinha provado na minha vida, mas verdade seja dita até tinha o sabor daquele vinho que o menino Felino, trouxe ao Sr.Cura?
 
Eu não queria, mas a tentação foi forte e eu também não sou mulher para desdenhar uma boa pinga e por isso cá vai disto. Até parecia que era veludo a deslizar pela minha garganta abaixo.
 
Quando dei por mim, estava com o meu Zé agarrado pelo cabelo, que já não é muito porque atirou ao pai dele que morreu sem ter pêlo no corpo todo, Deus o tenha em descanso, e a beber do mesmo que eu, e meus ricos isto contado não dá para acreditar, mas não é que ele parecia que tinha o diabo no corpo, a correr atrás de mim e à roda das bruxas todas que até parecia que tinha 20 anos, tão remoçado que estava?
 
Graças aos santinhos que tudo não passou de um pesadelo pois quando acordei mal sabia em que aldeia estava,  até tive que me beliscar e então olhei p'ro meu lado esquerdo e lá estava o meu Zé a dormir descansadinho e a ressonar que nem um porco, como é hábito dele que era um regalo de se ver.
 
Isto das bruxas e de tanta gente a falar-me dos tais comprimidos azuis, é  no que dá.
 
Meus ricos filhos, não se esqueçam, é esta noite que elas atacam.
 
Vou acender uma velinha em vossa intenção.
 
 
 
 
 
 
 
Beijinhos repenicados e não se esqueçam das benzeduras e dos alhos á vossa porta.
 
 
Desta que se assina
 
 
Beata da Aldeia
 
 

Como vai a minha vidinha: a fugir do demónio

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 19:41
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Domingo, 28 de Outubro de 2007
Protejam-se das bruxas que o dia delas está a chegar
Meu Santinhos
 
A vossa Beata hoje foi à missa das 8 da manhã, porque com isto da mudança da hora fiquei toda baralhada e não fui só eu, porque a minha porca Miquelina e o meu burro Jeremias já estavam numa aflição porque não me viram chegar à hora do costume e até devem ter pensado que eu os tinha abandonado, como as pessoas sem coração fazem com os seus cães e gatos quando vão de férias, mas eu cá, sou muito piedosa e nunca cometeria tal crueldade.
 
Vim a correr,  assim que o Sr. Padre Cura me dispensou, e  num frenesim tal que nem vos conto, para vos avisar que tenham muito cuidado porque as Bruxas estão a chegar não tarda.
 
Por isso, meus ricos filhos, como eu vos prezo muito e não quero que o demónio e as suas seguidoras Bruxas vos chamem para o seu reino de perdição, aqui estão algumas artimanhas e benzeduras que se usam cá na aldeia ainda eu não era nascida e que pela certa vos vão proteger nestes dias.
 
Deixo-vos algumas crenças aqui da aldeia e estai atentos, porque nunca se sabe:
- Se numa família nascerem sete mulheres, sem que nascesse um homem pelo meio dizia-se que a última ou a primeira era bruxa.
- Não se deve brincar com a própria sombra, porque pode provocar doenças.
- Também não se deve contar estrelas porque faz aparecer verrugas.
- Quando aparecem borboletas em volta da luz, diz-se que são bruxas.
- No caso de se matar algum gato seguir-se-ão sete anos de azar na vida.
 
 
Agora, tomai atenção, meus queridos filhos, ao mau olhado:
 

Diz-se que uma pessoa tem mau olhado quando anda sonolenta, sem alegria e sem forças, com dores de cabeça. e atentai que ele pode ser lançado sobre nós apenas com um olhar na maior parte das vezes  por inveja ou maldade.

Para evitar que isso aconteça, deveis proteger-vos fazendo figas ao passarem junto de pessoas de quem desconfiem ou usando protecções, de preferência : medalhas, figas, cruzes, cornichos.
 
Aqui vai uma reza para que o mau olhado vos não apoquente: 
 

Dois tu deitaram, três tu tiraram,
foram as três pessoas da Santíssima Trindade que são Pai, Filho, e Espírito Santo Amén.
Enleado seja quem te enleou.
Acanhado seja quem te acanhou.
Amarrado seja quem te amarrou.
Embruxado seja quem te embruxou.
Invejado seja quem te invejou, em louvor da Nossa Senhora e do Santíssimo Sacramento, que este mal vá para fora e venha o bem para dentro.
Assim como a Virgem é pura assim tira o mal a esta criatura.
O sol nasce na serra e põe-se no mar de onde este mal veio há-de para lá voltar.
 
Um rico Domingo para todos e não se esqueçam de rezar muito para não ficarem embruxados, que aqui a vossa Beata sabe do que fala, apesar do o Sr Cura estar sempre a pregar que não há bruxas, mas que as há, Há.
 
Beijinhos repenicados
 
Desta que se assina e vos avisa
 
Beata da Aldeia
 
 

Como vai a minha vidinha:

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 11:21
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Sábado, 20 de Outubro de 2007
De candeias às avessas

Boa noite meus santinhos

 

A vossa Beata tem muito o que vos contar depois destes dias todos em que não vos escrevi e sabe Deus que falta me fizeram as vossas cartinhas ainda p'ra mais estando eu de candeias às avessas com o meu homem que para vos dizer a verdade já não sei se ele ainda é meu ou se lhe dou um daqueles valentes pontapés e o mando p'ra casa da mãe dele, que por acaso até uma santa apesar de ser sogra.

 

Então não querem lá ver que o meu Zé que já era teimoso que nem o meu burro Jeremias agora mais parece que foi enxertado em corno de cabra desde que eu mudei para loira e me meti nestas artes porque cismou que a culpa destas mudanças todas é da Internete?

 

Diz que eu já não sou a mesma, e aí até lhe dou razão, porque eu dantes era morena e agora já não sou, que já não tenho tempo p'ra lhe olhar p'ra cara, e verdade seja dita que também já ando farta da cara dele e o pior de tudo e que me ofendeu cá na minha fé, é que rematou dizendo que ando descurando as minhas obrigações na Igreja.

 

Ai meninos fiquei vidrada fui-me a ele e não vos conto nem vos digo que quase parti o rolo da massa tanto lhe cheguei ao pêlo, foi preciso o Zé Palerma que é o sacristão e tem-me em muito boa conta, vir apartar-nos p'ra não se dar uma desgraça como aquelas que se vêm todos os dias na televisão daquela menina que cada vez tem a boca mais alargada e que coitadinha teve azar numa operação que fez às bochechas da cara e lá estou eu a desviar-me da conversa.

 

No dia seguinte armou-se em macho e de vingança e ruindade foi-se ao meu rico computador que ainda ando a pagar todos os meses e rachou-o de alto a baixo.

 

Deixei de lhe falar e não me venham com esses sermões do perdão, que há coisas que custam a engolir e eu apesar de ser devota e temente a Nosso Senhor, desta vez não sei não qual vai ser o fim disto.

 

Meninos estou aqui a escrever-vos por caridade da minha vizinha Ti Maria Vacas, que coitadita vacas é o que ela já não tem, porque lhe morreram todas, diz-se para aí que foi por serem loucas, mas eu cá nunca dei por isso mas adiante e então vim aqui à dela, como estava dizendo porque o meu computador está a consertar e nem sei quando mo entregam.

 

Pronto meus filhos, tenho que me ir embora porque não estou na minha casa e não estou à vontade com os gaiatos da Ti Maria aqui à minha roda.

 

Não se esqueçam de me escrever porque ando muito precisada e rezem pelo meu Zé, p'ra ver se ele fica mais manso.

 

Beijinhos repenicados

 

Da vossa Beata da Aldeia

 


Como vai a minha vidinha: de cabelos em pé

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 22:29
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Terça-feira, 16 de Outubro de 2007
Não há formosura sem ajuda
Hoje fui à menina que me arranja a cabeça que é como quem diz o carrapito e acreditam vossemecês que o meu homem não me queria deixar passar da soleira da porta porque cismou que eu não era eu?
 
 
Verdade seja dita que quando eu me vi ao espelho também me pareceu ver a cara da minha prima mais nova Custódia da Anunciação, que sai ao lado do pai  que por acaso nunca se chegou a saber quem foi, porque à mãe não é com toda a certeza pois que era possuidora de tez morena e cabelos pretos e esta sua filha saíu loira e branquinha que é um regalo de se ver, até parece uma estrangeira destas que aqui andam a cultivar a terra porque os de cá foram todos arranjar as vidas lá nas franças,  p'ra não morrerem à fome, que é como quem diz.
 
Pois não querem lá saber, meus anjinhos, que a vossa Beata está de cabelo amarelo? A tal da Luisinha teimou comigo que eu havia de ficar mais formosa para a fotografia e eu fui na conversa dela, só que não me lembrei que o meu Zé havia de gostar mais de mim como eu era, mas agora não há nada a fazer e ele vai ter que olhar para o outro lado e é se quer.
 
Ele tem dias que é  tão ruim, que hoje como ficou encabrestado com isto do cabelo, até me disse que mais queria cheirar o nosso burro Jeremias do que o perfume que lá me puseram.
 
E agora,  antes que me fuja a ideia, minhas filhas, até vos vou dar um remédio para a pele, que a menina das unhas me arranjou, pode ser que vos seja de utilidade, podem-se servir à vontadinha que eu cá não sou avarenta:
 
Creme essencial caseiro p'ras meninas
• 10 gramas de cera de abelha
• 6 gramas de manteiga de cacau
• 30 gramas óleo de amêndoas
• 20 gramas óleo de abacate
• 15 gramas óleo jojoba
• 50 gramas água de rosas
• 20 gramas lanolina
 
Depois façam assim:
 

Em banho maria dissolver a lanolina, manteiga de cacau, cera de abelha. Acrescente os óleos depois de bem dissolvidos os produtos acima, misturando bem. Acrescente a água de rosas por último, misturando bem. Deixar esfriar e deve ser guardado em geladeira. Usar de manhã e à noite.
 
Já me ia esquecendo, também trago uma receita p'ro meu Zé, pode até ser que sirva para alguns dos meus riquinhos caso  estejam precisados:
 
Mézinha p'ra Calvíce dos meninos
Ferver folhas de nogueira e depois lavar nessa água, a cabeça, ou a careca ou as peladas caso as tenham, coitadinhos,  mas antes deixem arrefecer senão tenho que vos trazer a receita para as queimaduras.
 
Então até qualquer dia meus santinhos que eu hoje nem me vou deitar para não estragar o pentedado
 
Beijos repenicados desta que se assina
 
Beata da Aldeia
 
 

Como vai a minha vidinha:

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 18:27
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Sábado, 13 de Outubro de 2007
Enquanto há saúde quedos estão os santos
 
Estimados filhos
 
Não sei como vos agradecer os vossos conselhos e o  vosso cuidado  com a minha saúde que costuma ser de ferro mas lá diz o povo da minha aldeia que saúde de ferro pode enferrujar e até parece que me agoiraram, cruzes canhoto, porque eu nunca caio à cama a não ser para dormir que o resto já vossemecês sabem que nesta idade já nem penso nisso e o meu Zé então está pior que eu. 

 

Ainda estou a caldos de galinha, melhor dizendo a caldos da minha Josefina que coitadinha lá serviu para algum proveito porque ovos já não punha vai para mais de um ano e assim vos digo que me encontro melhorzinha ou não fora o caso nem vos podia estar a escrever.

 
Desculpai esta vossa Beata por esta carta tão singela mas começou a chegar-me uma tremedeira às pernas que mal me tenho em pé e assim sendo tenho que me ir encostar mais um bocadinho para não ter uma recaída e estragar tudo e ainda para mais o meu homem já está a olhar para mim de esguelha  porque cismou que eu caí à cama por causa da Internete e ele quando teima é pior que o meu burro Jeremias.
 
 
Estão sempre no meu coração, meus santinhos, e continuem a rezar o terço como pediu a Nossa Senhora de Fátima que eu já hoje lhe acendi uma velinha por conta dos meus pecados.
 
Beijinhos repenicados desta que se assina
 
Beata da Aldeia
 
 
PS: Caso esta tremedeira me deixe e calhe apanhar o meu homem na sesta ainda sou mulher p'ra cá vir hoje a  responder às vossas cartinhas que bem o merecem meus  anjinhos
 

Como vai a minha vidinha:

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 10:52
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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007
Mas que grande aflição

 


É verdade filhos do meu coração então não é que levei toda a santa noite a sonhar com as cores do vestido que se me pôs uma dor de barriga como há muito não tinha mais propriamente desde que fiz aquele esforço que me valeu uma quebradura no umbigo porque cismei que havia de dançar a noite inteira nas festas da Nossa Nossa Senhora da Agonia?

          
Nem vos conto as vezes que já corri para me aliviar e o meu Zé até foi à menina nova da farmácia pedir ajuda porque coitadinho verdade seja dita ele é muito meu amigo e se eu lhe for à frente ele vai logo atrás de mim, porque homem habituado a ter tudo feito é assim mesmo e a nossa afeição é para toda a vida como manda Nosso Senhor e disse o Sr. Cura quando nos casou.

Lá estou eu a divagar meninos mas graças aos santinhos que esta aflição me calhou hoje porque a menina Joana da aldeia dos sapos andou a oferecer à gente aqui da terra uns piaçabas novinhos em folha que são uma beleza e eu cá que sou muito de aproveitar as coisas, dei-lhe logo uma serventia que estou a ver que tenho que pedir ao meu homem para ir buscar mais.

É verdade que esta vossa Beata é uma mulher do campo e pouco dada a letras mas nunca chamei piaçá ao piaçaba como disse aquele menino que tem um grupo que cheira muito mal e até lhe chamam os fedorentos além de dizerem que são bichanos ou gatos ou lá o que é.

Com isto tudo meus anjinhos não tenho tido cabeça para pensar nas cores do malfadado vestido e se não ficarem ofendidos fica para uma próxima que também isto não é nenhuma sangria desatada.

Já me esquecia de vos contar recebi uma carta muito bonita que por sinal ainda não a li toda do nosso Anjinho protector,

 São M Abreu

                                  

e por sinal já trazia o selo com o retrato dele, ora vejam lá que lindos caracóis e até sabe tocar e tudo, ai rico filho.

 



Aprendam a dizer  piaçaba e até qualquer dia se Deus quiser

Beijinhos repenicados desta que se assina
Beata da Aldeia

 

 

PS: Desculpai-me mas hoje não tenho cabeça p'ra responder às vossas cartas que estou outra vez numa aflição à conta destas malditas cólicas

  

 


Como vai a minha vidinha:

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 20:12
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Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007
Notícias da Aldeia

 


Bom dia queridos filhos

        

Hoje o meu Zé trouxe-me o jornal cá da região que salvo erro só aparece uma vez por semana e já não é mau porque dantes nem jornais nem televisão a gente tinha e por isso é que os filhos nunca acabavam de se fazer porque não havia distracções nenhumas a não ser aquelas que vossemecês sabem mas que eu por pudor não digo.

 

Ora eu que apesar de ser do campo sempre fui muito de querer saber as coisas apesar de não me meter na vida dos outros comecei a ler a primeira página porque é por onde se começa sempre e fiquei de boca aberta com esta noticia:

                                                                               

Fotografias, logótipos ou textos passam a poder figurar nos selos .

Uma fotografia de rosto, uma imagem das férias ou o retrato do bébé. A partir de agora os consumidores podem escolher o tema dos selos que enviam nas suas cartas. Os CTT apresentaram ontem, Dia Mundial dos Correios, o "meuselo", um serviço que torna possível a personalização da tarifa de correspondência.

 

Ai meus queridos que grande avanço que este mundo está a ter e pensei cá comigo porque já sabem que o meu homem nestas coisas não gosta nada de modernices e por isso nem vale a pena dizer-lhe nada, que agora é que a vossa Beata vai ser conhecida em todo o lado porque acreditem que assim que o Ti Carteiro cá chegar vou-lhe pedir para pôr o meu retrato nos selos porque agora como sabem é um ver se te avias com estas cartas todas.

 

Como o meu Zé tem aquele feitio que já todos conhecem e nas vizinhas não tenho confiança nenhuma porque há muitas invejas e quem vê caras não vê corações e ao Sr Cura falta-me a coragem porque ele tem coisas mais importantes para pensar queria pedir uma coisa aos meninos e meninas que era se me ajudavam a escolher a cor do vestido para eu tirar a fotografia que tem que ser especial porque andar sempre de rosa arroxeado também já estou farta.

  

Beijinhos a todos e não se esqueçam de pôr as vossas caras larocas nos selos para eu vos conhecer melhor

 
Desta vossa Beata da Aldeia

 


Como vai a minha vidinha:

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 13:43
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Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007
O meu homem e o meu burro Jeremias


                                

Meus ricos filhos

 
Antes de mais quero pedir muita desculpa por só agora responder às vossas cartas todas que eram tantas tantas que até o pobre do Ti Manuel que é carteiro cá da aldeia vai p'ra mais de 20 anos ficou de olhos esbugalhados e até teve que pedir ao compadre Ajuda que o nome já diz tudo para lhe carregar a sacola mas o Sr Cura chamou-me lá por causa das flores para o casamento da Ritinha e do Manuel que é já no domingo e por isso só agora aqui vim.

Ai riquinhos que me estragam com mimos e eu não sou merecedora de tanto até porque nem fiz nada de mais para estarem para aí com essas coisas todas mas que estou muito contente lá isso é verdade e cada vez gosto mais de todos.

Mas hão-de vossemecês pensar o que é que isto tudo tem a ver com o meu Zé e com o meu burro Jeremias mas devagar se vai ao longe e aguentem um bocadinho que eu já conto tudo.

Então lá vai.
O meu burro apesar de ser burro é mais esperto que muita gente que diz que pensa e é como se fosse da família só falta dormir cá em casa que isso eu nunca deixei porque é uma grande sujeira e não se aguentava o cheiro mas tem um grande defeito tal qual o meu homem que eu até costumo dizer que ele é teimoso como um burro.

Ora o ano passado viveu cá um mestre-escola que coitadinho até teve sorte porque foi colocado a 350km da aldeia dele mas sempre foi melhor do que ficar sem trabalho e que por via disso mesmo cismou que havia de ensinar à gente estas coisas da Internete para ocupar os fins-de-semana que eram quase todos em que não ia matar saudades à terra dele e então como eu estava dizendo lá fui eu e mais umas vizinhas aprender as artes que é como a gente chama a isto aqui na aldeia.

O meu homem que quase nunca fala, botou palavra e disse que era para eu não ir porque isso não eram coisas de mulher casada e disse mais:
- Mulher minha não vai por aí!

Até me lembrou uma coisa que eu ouvi da boca do tal mestre- escola e que me ficou no ouvido até hoje e que se a memória não me falha foi um tal de Sr. Régio que morava noutra aldeia e que pelos vistos era senhor do seu nariz que dizia mais ou menos o mesmo mal comparado valha-me nossa Senhora.

O que ele me foi dizer meu ricos meninos. Então eu que nunca olhei p'ro lado que sempre lhe arranjei a janta a tempo e a horas trato-lhe da roupa toda que ele anda sempre num brinco e agora estava a querer mandar em mim? 

Lembrei-me logo do meu burro que quando a gente o puxa para um lado ele vai para o outro e fiz o mesmo que ele.

Em santa hora me veio essa lembrança porque se não fosse o meu burro eu não estava aqui a escrever aos meus santinhos.

Eu que sou mulher séria e não sou de andar na taberna como eu sei que há p'ra aí muitas já para não falar de outras coisas do demónio que até me fazem arrepios só de pensar nelas, sou devota e até ajudo o Sr Cura, posso não saber muito bem para onde vou mas sei que não vou por onde ele me mandar.

Tenho dito

Beijinhos a todos e até qualquer dia se Deus quiser

Desta que se assina Beata da Aldeia


Como vai a minha vidinha:

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 20:21
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Domingo, 7 de Outubro de 2007
Aqui estou meus santinhos!
 
Boa tarde meninas e meninos
 
Tem esta o propósito de  vos dizer que aqui a vossa amiga Beata da Aldeia foi de excursão com o seu Zé lá para os lados de Montemor o velho porque o novo fica noutra freguesia e até tropeçámos no nosso primeiro Sócrates ou lá como é que ele se chama que depois das eleições salvo erro nunca mais lhe tinha posto a vista em cima e até foi uma confusão porque estava lá muita gente aos gritos e eu não gosto de barafundas que já me chega a minha vida quanto mais a dos outros.
Mas estava eu dizendo que por causa da passeata com o meu homem, só agora cheguei à minha aldeia e antes de entrar em casa vi a caixa do correio cheia de cartas e até lhe disse:
    
 
- Então agora ao domingo também há correio?
ao que ele me respondeu:
 - Humm
porque o meu Zé é de poucas falas mas eu já me habituei a ele e até o desculpo coitadinho.
 
 
Lá fomos entrando e depois de descalçar os sapatos que me apertaram os meus ricos pés o dia inteiro lá fui ver quem me tinha escrito.
 
E aqui, meus ricos filhos fartei-me de chorar.
 
Então não é que as cartas eram dos meninos e meninas que eu andei visitando nos últimos dias a pedir-me para eu continuar a escrever-lhes?
 
Fiz contas à vida e como só ajudo na Paróquia durante a parte da manhã, a seguir faço o almoço logo a contar com a  janta e depois pensei cá para comigo que em vez de andar por aí nas vizinhas era melhor eu vos fazer a vontade e assim aqui me têm porque o meu coração sempre foi mole e agora para a idade ainda mais e por isso eu não podia virar as costas a quem me recebeu tão bem.
 
Não se zanguem e até um dia destes se Deus quiser
 
Beijinhos repenicados desta que se assina
 
Beata da Aldeia
 

Como vai a minha vidinha:

Carta escrita pela Beata da Aldeia às 19:11
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